sábado, 14 de junho de 2008

Delírio - Ser e Ter


Ter um carro importado
Ter um tênis da moda
Ter um nome importante
Ter um curso superior
Ter um pai advogado
Ter um filho celebridade
Ter um corpo bonito
Ter um bom emprego
Ter um rosto bonito
Ter um cargo importante
Ter uma bela mansão

Ser bom
Ser amigo
Ser honesto
Ser digno
Ser trabalhador
Ser sorridente
Ser otimista
Ser altruísta
Ser ponderado
Ser precavido
Ser correto

Ter cor
Ter sabor
Ter abraço
Ter beijo
Ter luz
Ter um abraço
Ter um ombro
Ter um laço
Ter um passo
Ter um sonho

Ser rico
Ser famoso
Ser ambicioso
Ser trapaceiro
Ser gostoso
Ser ligeiro
Ser durão
Ser importante
Ser requisitado
Ser superior
Ser esperto

Ter sonhos
Ser sonhos

Ter coração
Ser coração

Ter muito
Ser muito

Ter tudo
Ser tudo

Ter nada
Ser nada

Nada ser e tudo ter
ou
Tudo ser e nada ter?

Ser vale mais do que ter


Mas a errante certeza daqueles que olham o mundo com olhos feitos pelas mãos do seu próprio veneno:

Ter vale mais do que ser

Mas olhando certo e com lentes de contato bem iluminadas:

Ser humilde vale mais do que ter ganância.
Ter educação vale mais do que ser mal-educado.
Ser lutador vale mais do que ter tudo na mão,
E ter sonhos vale mais do que ser acomodado.

Ter que ser rico
Ter que ser famoso
Ter que ser forte
Ter que ser formado
Ter que ser esperto
Ter que ser casado
Ter que ser livre
Ter que ser trabalhador
Ter que ser honesto
Ter que ser responsável

Não importa o que tiver que ser
Sendo importante tê-lo na sua vida
É o que vale a mais a pena ter.
Cada sonho, cada gesto,
É só ser esperto e ter a certeza:
O que tiver que ter, terá
E o que tiver que ser, será.


Foto: http://atuleirus.weblog.com.pt/arquivo/formiga.jpg

Em Linhas... Retrô:

Se você não leu, clique no link e conheça, e pra você que já leu, leia e compare com o que você comentou há um ano atrás. Será que hoje dirias o mesmo? rs

domingo, 8 de junho de 2008

Em Linhas... 1 ano!!!

Há algum tempo eu já queria postar esse texto, mas os imprevistos não deixaram, me fazendo postar só hoje, mesmo quase dormindo no micro, devido a uma gripe que quer me pegar.

Na quinta-feira, dia 05, o "Em Linhas..." completou um ano de vida.

Ele é um resultado de um desejo que sempre tive em ter um espaço meu onde pudesse escrever, desabafar, soltar o meu veneno, criticar, contar e proporcionar a quem o visita entretenimento com conteúdo, ou que pelo menos, fosse algo aproveitável...rs

Peguei um terça-feira em que estava de folga para montar esse espaço. Montei o layout após ficar horas mexendo e remexendo (como todo bom virginiano, sou um perfeccionista a ponto de irritar a mim mesmo...rs), e por fim, terminei nomeando (também após tentar vários nomes). Ainda postei dois textos que faziam parte de um antigo blog que tinha mas não deu certo, chamado Toca das Letras. Os dois textos, um chamado “A Violência no Brasil... E Daí?”, e um pensamento chamado “A Fonte D’água”, foram o começo de uma demanda que já alcançou cerca de 77 postagens, contendo de tudo um pouco.

Mas vou ser sincero, o meu maior orgulho foi ter criado os Delírios, textos inspirados no Modernismo e em algumas músicas piradonas de “Os Mutantes”, que possuem uma maneira diferente (algumas vezes até agressiva) de expor um certo assunto. Você só não , como também o sentimento exposto ali.

Também postei alguns textos que já tinha escrito há algum tempo, como o conto “Tem Um Carro Me Seguindo”, de 2005, e o poema “Aprendendo com o Sofrimento”, escrito em 2000.

O blog também já apresentou temas de forma polêmica. O poema “Portugueis”, uma sátira ao nosso português errado de cada dia, foi um grande exemplo disso, onde teve até leitor criticando ferozmente comentário de outro leitor, e um debate praticamente político que rendeu...

Teve também os textos de caráter sombrio, postados na categoria “Tempestades”, refletindo as tempestades por que já passei nesse tempo.

E por fim, textos a la sessão nostalgia, como o “Sessão Nostalgia 1” e o “Sessão Nostalgia 2”, um com aberturas de desenhos famosos, outro com comerciais antigos. Teve também um chamado “60/2000”, que falava sobre esse clima de adoração de tudo do passado e ao mesmo tempo da subestimação de tudo que se refere á nossa década atual.

É claro que, ao ver esse blog hoje, percebi que a crítica é a sua principal vitamina, que dá sustento á tantas postagens e a tantos jeitos diferentes de escrever.

Acredito ter alcançado o meu objetivo nesse 1 ano: fazer dessas linhas um divã, não só meu, mas de você também leitor, que parou alguns de seus minutos para ler as abobrinhas e pirações desse rapaz que deseja ser um jornalista. Espero ter contribuído com o seu dia, ter tirado do fundo do seu coração algo que você queria dizer mas estava engasgado na garganta, ou apenas para matar a saudade de algo que fez parte da sua infância, ou treinar o seu espírito critico e consciente que rege os seus caminhos.

Não posso terminar esse texto sem agradecer a leitores que estão aqui desde o começo, como o grande mestre R Lima e seu “O AveSSo da Vida”. Sabes que as suas palavras, o seu incentivo, desde o outro blog, sempre me fizeram muito bem, e como eu já comentei até em uma postagem sua, o seus textos sempre foram referência para mim. Você também é um dos responsáveis por esse aniversário.

Também agradeço ao Diego Moreto, do blog de mesmo nome, que sempre que pode aparece por aqui, deixando seus comentários tão inteligentes.

Também agradeço a você, Pequena Gi do "Sede de Devaneios". Sei que sua vida anda muito corrida, mas também sempre que pode dá o ar de sua graça pelas postagens.

E, tentando me lembrar de todos, obrigado ao Vicente Freitas, a Fada, a Mila, ao Euzer, a Paloma, ao Amnésico, ao Soul Music, e a todos que também fazem parte dessa história.

E obrigado também por todos os selos e prêmios, todos que recebi de maneira inesperada, e coincidência ou não, quando me encontrava desmotivado com o blog.

A todos vocês, podem ter a certeza, terão o meu crédito sempre que eu puder, pois vocês todos são mestres no que fazem, cada um com o seu estilo, cada com o seu modo de pensar.

E por fim, agradeço de coração a você leitor dessa postagem, seja novo por aqui, seja já de casa, mas pode ter a certeza de que esse rapaz que ama a arte de escrever o faz com gosto e satisfação, e mesmo agradecendo todos os elogios e críticas, sabe que ainda tem muito o que aprender.

Mas, essas linhas não terminam por aqui...

Por isso, até a próxima postagem.

Tenha uma ótima semana.


FOTO: http://193.126.122.175/Newvision/portallizer/upload_img_conteudos/estrada_5_web.JPG

quinta-feira, 5 de junho de 2008

O Papel é Mais Paciente que o Homem - Parte IV - Final

Peço novamente desculpas por estar postando só hoje. Ontem pareceu ser o dia dos imprevistos... mas tá aqui, o último capítulo, tá meio longo, mas eu garanto que ao ler você nem vai perceber que terminou, ou mesmo que perceba, não vai se arrepender...

Sala de reunião. Normalmente, quando a equipe era convocada para essas reuniões com seu Gomes, sempre para lhes dar algum sermão, pairava naquela sala um clima de “O Aprendiz” da Tv Record, bem naquele momento em que os participantes aguardam a entrada de Roberto Justus. Mas lá não, o clima estava tão descontraído, mas tão descontraído, que a reunião parecia mais uma confraternização. O motivo?

- Nossa, tangerina podre... KKKKKK.

- Eu sinceramente não queria ver a cara do seu Gomes hoje... Não vou conseguir me segurar quando ver a cara dele e aquele mania de ajeitar as calças...KKKKK

Era só o assunto. Finalmente, alguém falara palavras “sábias” e verdadeiras sobre seu Gomes. Marcelo apenas observava aquela cena, todos comentando do papel, todos comentando dele, todos fazendo fofoca sobre o ato de Marcelo, e principalmente, onde estaria o tal papel, já que Dona Maria, a faxineira, espalhou o papel suspeito que entregara a seu Gomes e a sua reação após recebê-lo.

- Nossa... Nunca pensei que causaria tanto nessa empresa com esse papel... – sussurrou a Afonso. – Acho que falei demais. Já tão inventando coisas que eu não escrevi. O que eu fiz cara... Devia ter tomado mais cuidado com aquele papel... Eu nem sei o que vou fazer quando o seu Gomes esfregar ele na minha cara aqui, na frente de todo mundo...

- Relaxa. Qualquer coisa a gente inventa que foi intriga de alguém, sei lá. Mas não fica assim não, a gente ainda não tem certeza se é mesmo o seu papel o não. Apesar que tudo indica que sim, né...

- Obrigado pelo ânimo...

E de repente, a maçaneta da porta foi brutalmente mexida. Silêncio. Por fim, ajeitando as calças, eis que surge seu Gomes, com a sua cara visivelmente cheia de olheiras, e também visivelmente furioso, com jeito de quem estava prestes e despejar coisas que estavam entaladas na sua garganta.

E com um sorriso irônico, soltou:

- Boa tarde.

- Boa tarde. – todos responderam, apreensivos.

- Muito bem... Acho que já perco demais o meu tempo falando com vocês, por isso, irei ser o mais sutil possível sobre o que vim tratar nessa reunião. Na verdade, de inicio, era sobre um assunto só, mas nessa tarde ocorreu um certo fato muito infeliz que acabou entrando na pauta, portanto, senhoras e senhores, iremos tratar sobre dois assuntos importantes.

Marcelo sentiu um frio a percorrer o seu corpo.

- Ontem o gerente geral me chamou a atenção para o comportamento da nossa equipe, coisas fúteis como questão do lixo, conversas altas no corredor, assuntos inapropriados para o ambiente de trabalho e até mesmo problemas no visual como barba por fazer, vestimentas não adequadas ao que diz as normas da empresa, e outros fatos que me deixaram profundamente abalado. Afinal, vocês acham que estão aonde? Na casa de vocês? Num zoológico? É muita falta de postura e profissionalismo por parte de vocês! Há muito tempo já deveriam ter seguido o meu exemplo como profissional há quase vinte e cinco anos aqui dentro...

E ficou, por longos trinta e seis minutos discutindo sozinho sobre questões de postura dentro do ambiente de trabalho, fazendo comparações infelizes e citando nomes de funcionários na frente dos outros, deixando-os constrangidos. Com o tempo, aquele sermão foi dando sono a muitos que estavam ali, mesmo aos berros roucos que seu Gomes emitia, entre uma arrumada de calça e uma arrumada de gravata que ele vivia fazendo. E Marcelo permanência trêmulo, distante, apenas pensando no próximo assunto...

- E é isso senhoras e senhores “não-colaboradores”. Agora, vamos ao segundo assunto que vim tratar hoje. Estava eu em minha sala, me preparando para o que ia dizer referente a essa reunião, quando a faxineira na qual sempre me esqueço o nome vem a minha sala e me entrega este papel aqui...

E tirou o papel do bolso, exibindo as suas costas, a parte com o logotipo da empresa, para todos os presentes naquela mesa. Todos olharam para Marcelo, que ficava cada vez mais pálido, e em seguida voltaram a olhar para seu Gomes, disfarçando ao máximo os seus sorrisos.

- Nunca pensei em vinte e cinco anos de empresa que viveria uma situação tão constrangedora como essa! Um absurdo! Uma vergonha! Uma...- e mordeu os lábios, resolvendo não dizer. – Alguém tem algo a dizer sobre isso?

Silêncio absoluto. Afonso, como bom amigo, deu discretos tapas nas costas de Marcelo, que á esta altura, já sentia o seu corpo todo tremendo.

- Ninguém? Então tá... já que ninguém se manifestou, então vou escolher a pessoa certa para falar sobre esse assunto, não é mesmo, senhor MARCELO?

Susto. Olhares sobre o dito cujo. Marcelo olhou para seu Gomes, que com seu olho que mais parecia uma arma mirando sobre ele, continuou:

- O que o senhor tem a me dizer sobre isso aqui?

Já era tarde. Pelo jeito, era mesmo o paepel. Não tinha mais como fugir. Falaria a verdade, ou inventaria a famosa desculpa, “armaram isso tudo pra mim”? Não, não ia colar. Seu Gomes pouco liga para os seus funcionários. Ele será mandado embora do mesmo jeito. O melhor era falar a verdade.

- Me desculpe seu Gomes, não foi a minha intenção denegrir a sua imagem. Na verdade estava chateado porque horas antes lhe apresentei um projeto de melhoria para o nosso setor e o senhor simplesmente se recusou a me ouvir, ainda dizendo que eu só era pago pra obedecer...

- Sei...

- E sinceramente, não acho justo dar esse tratamento a um funcionário que apenas quer dar o melhor de si, e o senhor pode ter certeza, essa sua postura arrogante colabora e muito para todas essas criticas negativas que o senhor mesmo acabou de citar aqui na reunião. Tome as providencias que o senhor preferir em relação a mim, mas eu não me arrependo de ter escrito esse papel desacatando o senhor. Foi apenas uma maneira que encontrei de descarregar aquilo tudo que estava entalado na minha garganta referente ao seu modo arrogante e repressor com quem tem tratado a mim e a todos presentes aqui na sala. O senhor pode ter o tempo que for aqui dentro, mas uma coisa, que, sendo sincero, o senhor ainda não aprendeu é que funcionário não deve só ser pago para obedecer, e sim para colaborar com a equipe dando o melhor de si. É isso.

Silêncio. Olhares assustados e fixados nos dois. Seu Gomes também estava mudo, sem reação, com os olhos ainda fitados em Marcelo. Balançou a cabeça, suspirou, e por fim, deu o seu veredicto:

- Você está certo, senhor Marcelo, não tiro a sua razão. Pode ter certeza que farei o possível para tratar a todos conforme a sugestão do senhor, desde que também façam a sua parte. Agora, vou lhe confessar uma coisa, estou chocado com esse papel que você me escreveu. Muito chocado! Onde ele está?

- Onde ele está? Ora, na sua mão.

- Isso aqui é apenas um relatório do desempenho da equipe. Aliás, era disso que eu ia falar. Não tinha visto ainda esse papel, e confesso que fiquei estarrecido com a nossa decadência em seis meses. Era isso que eu ia mostrar. Mas agora eu quero saber, onde está esse papel?

- Então... ele não estava com o senhor?

- Se estivesse acha que eu estaria perguntando?

Marcelo olhou para Afonso. Agora caíra a ficha. Além do papel não estar com seu Gomes, ele também não sabia de nada... até ali.

- Eh... o que o senhor ia falar mesmo sobre o relatório?

***
- Nossa, meu ouvido tá doendo até agora, cara. – disse Marcelo, enquanto arrumava as suas coisas em sua sala.

- Eu imagino. Pow cara, não sei nem o que dizer. Por causa de um papel aconteceu isso tudo. Ainda bem que ele não te mandou por justa causa, não é?
- Pois é, ele sabe que eu to certo, e ele percebeu o quanto a equipe anda insatisfeita com a gestão dele. Chega uma hora que até gente casca grossa feito ele percebe as coisas como são à sua volta. Mas eu não me arrependo de ter escrito aquele papel, não. Agora me sinto muito melhor, primeiro por ter descarregado tudo aquilo, e segundo, por ter falado na cara do seu Gomes o que ele precisava ouvir.

Era a hora da despedida, antes de passar pela última porta que um empregado demitido sempre passa, a do departamento pessoal.

- Valeu mesmo Afonso, obrigado por tudo.

- Que é isso. Amigos são pra essas coisas. E vê se não fura naquela pelada que a gente marcou no sábado á tarde hein!! Não quero perder o contato com você.

E deram aquele abraço de macho, contido, mas de coração. Em seguida, Afonso disse:

- Bem, sem emprego por muito tempo você não fica. O meu amigo vai te indicar lá onde ele trabalha. Ganha até mais do que aqui e o chefe de lá é muito gente boa. Já te dei o telefone né?

- Deu, tá aqui no bolso...- e começou a fuçar no bolso só para conferir.

Foi então que, de repente, Marcelo mudou de expressão. Ficara estático.

- O que foi, cara? – perguntou Afonso.

E de repente, Marcelo puxa junto com a anotação do telefone, um papel amassado, com o logotipo da empresa.

- Eu não acredito! – surpreendeu-se Afonso. – Isso...

E Marcelo abriu o dito cujo.

- Sim, é ele. Puta que pariu... agora que eu me lembrei. Teve uma hora que seu Gomes falou da reunião, e no nervosismo, quase que inconscientemente,e enfiei com tudo dentro do meu bolso, mas lá no fundão mesmo. Nesse nervosismo todo eu nem... Ah, mas deixa quieto. Agora já é tarde. Vou guardar esta obra prima como lembrança. Pelo menos agora eu to livre daquele imbecil. Bem, vou nessa então. Mais uma vez obrigado por tudo, amigo.

- Que é isso. Desculpa não poder descer com você, mas é que o seu Gomes me entupiu de tarefas hoje, alegando que eu precisava ter mais o que fazer... – disse rindo.

- Beleza então. Até sábado.

- Até sábado.

E Marcelo fechou a porta. Afonso, agora sozinho na sala, sentou em sua mesa, ligou o seu computador, e começou a mexer com as suas planilhas. Olhou para a mesa vazia ao lado.

Sim, Marcelo faria muita falta, muita mesmo...

- É, bem que o meu avô dizia, o papel é mais paciente que o homem...

E pelo resto do dia Afonso assim ficou: cheio de trabalho, mas rindo sozinho.

Obrigado, de coração, a todos que tiveram a paciencia de ler e acompanhar todos os capitúlos dessa história...

FOTO: http://www.yogainlasvegas.com/images/stress_one.gif

terça-feira, 3 de junho de 2008

O Papel é Mais Paciente que o Homem - Parte III


Para ententer melhor a história, confira as Partes I e II.


- O quê? Tangerina podre? Eu não acredito!!!! KKKKKKKK!!!

- Nossa!! Você é louco Marcelo!!! Mas pra falar a verdade, você poderia publicar isso na reunião!!! Ia ajudar e muuito no desempenho da equipe...AH AH AH AH AH AH AH!!

- Ai tadinho!! Tangerina podre não... Coitada das tangerinas, ao contrário do seu Gomes, elas fazem tão bem...HAUHUAHAUHAUHUA!!!!!

- Nada como ter o papel pra gente desabafar não é Marcelo? Adorei a idéia, também vou fazer isso quando ele fizer piadas do meu casamento. Aquele gordo ridículo merece muito mais do que isso.

Marcelo nunca havia se divertido tanto com seus colegas como dessa vez. Chegava a ser assustador o quanto as pessoas do departamento detestavam seu Gomes. Gente vítima de gritos, palavras injustas, piadas sem graça, humilhações e simplesmente, quando queriam apenas demonstrar o melhor de si, assim como Marcelo, foram pisados pela arrogância do velho.
Porém, para a tristeza de Marcelo, ninguém vira o tal papel.

- E agora Afonso? O tempo tá passando! Eu preciso achar isso antes da reunião.

- Sabe cara, me lembrei de uma coisa agora. A faxineira não passa por aqui por volta das duas da tarde? E se ela não passou e levou esse papel com ela? Era mais ou menos por esse horário que a gente saiu pra tomar água.

- Vamos falar com ela então.
***
- Como assim a senhora já sabe dona Maria?

- Ué, do tal papel que você escreveu pro seu Gomes? Nossa, isso virou o assunto do dia. Você escreve bem rapaz. Já pensou em trabalhar fazendo humor?

- Quem sabe, dona Maria, quem sabe, mas a senhora chegou a encontrar algum papel caído lá no corredor.

- Bem...

Expressão de suspense. Marcelo e Afonso olharam para a faxineira com apreensão. Dona Maria tinha uma noticia.

- Hoje eu passei mais ou menos nesse horário de sempre no corredor de vocês. Mas daí eu passei perto de uma daquelas portas e realmente achei um papel no chão. Só que na hora, sei lá, na dúvida, resolvi entregá-lo ao seu Gomes mesmo. Eu até achei estranho pela cara furiosa que ele fez quando leu aquilo. Mas você sabe, como eu não sou uma pessoa curiosa eu não me atrevi a perguntar o que era aquilo, senão era capaz de eu perder o meu emprego...

- M-Meu Deus. Afonso!!! Eu to na roça!!!! Ele...

- Calma!! Calma!! A gente ainda não tem certeza se foi esse papel que ele leu mesmo.

- Eu to vendo a cena, cara! Ele tá quieto, não falou nada até agora. Ele vai deixar pra expor isso na reunião... Meu Deus, eu vou ver mandado embora por justa causa...

- Calma seu Marcelo. Você não conhece seu Gomes? Ele é explosivo. Se fosse isso mesmo ele já teria vindo falar com o senhor. – disse dona Maria.

- Tá vendo? Vamos fazer o seguinte. Vamos terminar o nosso trabalho, e esperar a reunião...

- Já sei, Afonso!! Vamos lá na sala dele e recuperar esse papel.

- O quê? Você ficou louco? Ir na sala dele como? O cara agora tá lá. E pior, se for mesmo o seu papel, imagina se ele te vê ali, naquela sala, a sós...

- Vixe... não quero nem pensar. É... você tem razão. Mas e então, o que a gente faz?

- Vamos esperar a reunião. Como ele já vai discutir a postura na nossa equipe, então ele vai tocar nesse assunto. Se não tocar, é porque o papel não está com ele, beleza?

- Não sei não... Acho que a gente deveria procurar mais...

- A gente já procurou o bastante. E é como a dona Maria falou, ele é explosivo, se fosse isso, já teria falado com você antes.

- Droga! Porque que eu não dei logo um fim nesse papel...

- Eu avisei...

Marcelo o olhou com a cara feia.

- Não precisa jogar na cara. Eu sei disso, mas você queria que eu fizesse o que? Bem na hora que a gente tá falando do velho ele aparece...

- Tudo bem, desculpa. – respondeu Afonso, cortando ele. - Mas vamos lá, faltam poucos minutos pra começar a reunião. Ele vai dar pela nossa falta. Relaxa, é muita coincidência esse papel ter ido parar logo nas mãos dele.

- É... muita coincidência...


aguarde... amanhã, último capítulo


FOTO: http://www.faunus.com.br/Figuras/search3.jpg