Não sei se isso já aconteceu com você, leitor.Você está dormindo. O seu relógio desperta, você acorda, se espreguiça, vai ao banheiro lavar o rosto, etc...
Dentro de você paira um sentimento gostoso, de animação, de corpo e cabeça bem descansados, pronto para começar um novo dia.
E então, após sair do banheiro, você olha no relógio. É cedo paca. Você então, vai ate a TV, pega o controle e a liga.
Está passando o jornal da manhã e suas notícias:
“Criança morre atropelada por carro”
“Seis tiros matam mulher grávida em favela no RJ”
“Seis pessoas são assassinadas no Chile”
“Marido e esposa são mortos na porta da igreja”
“Filha mata pai porque queria ir à festa”
“Senhora de 90 anos sai de hospital e morre vítima de bala perdida”
Daí é que você realmente acorda e se lembra do mundo caótico em que vive. O que era ânimo e tranqüilidade virou novamente aquele desânimo rotineiro misturado com ódio e revolta. Pronto, já estragou a sua manhã.
“Criança morre atropelada por carro”
“Seis tiros matam mulher grávida em favela no RJ”
“Seis pessoas são assassinadas no Chile”
“Marido e esposa são mortos na porta da igreja”
“Filha mata pai porque queria ir à festa”
“Senhora de 90 anos sai de hospital e morre vítima de bala perdida”
Daí é que você realmente acorda e se lembra do mundo caótico em que vive. O que era ânimo e tranqüilidade virou novamente aquele desânimo rotineiro misturado com ódio e revolta. Pronto, já estragou a sua manhã.
E a coisa vai se repetindo pelo dia. Qualquer banca que você olhe, mesmo de dentro do carro ou de um ônibus, a notícia mais chocante sempre estará em evidencia. E em muitos jornais é a mesma, só que vista de ângulos diferentes.
É claro que nós vivemos num país violento e onde há muito que se fazer para melhorá-lo, mas será que assistir/ler jornais cujo foco principal é só notícias trágicas e sensacionalistas, é realmente se manter bem informado? O que notícias de um cara que mora lá na China ser assassinado pela esposa acrescenta na nossa vida?
É claro que nós vivemos num país violento e onde há muito que se fazer para melhorá-lo, mas será que assistir/ler jornais cujo foco principal é só notícias trágicas e sensacionalistas, é realmente se manter bem informado? O que notícias de um cara que mora lá na China ser assassinado pela esposa acrescenta na nossa vida?
Uma coisa é certa, quase todo brasileiro gosta de ver uma tragédia. Mesmo que não goste, mas entre uma notícia de uma nova exposição de arte e uma notícia de acidente na Via Dutra, esta última é que irá chamar mais a atenção.
Não quero, em primeiro lugar, criticar e propor soluções para esse excesso de notícias trágicas como um jornalista experiente ou aqueles jovens com discurso anti-alienação, anti-mídia e outros “anti” já bastante banalizados. Aqui são palavras de um simples telespectador que não agüenta mais, em certos horários, a exibição excessiva de certos assuntos que já estamos cansados de ver.
Há muitos outros assuntos a serem informados, como economia, arte, esporte, entre outros.
Claro que há vários jornais que se salvam, porque sabem dosar a quantidade de notícias a serem veiculadas. Há um público que prefere esportes. Há outro que prefere ouvir novidades sobre música. Há outro que prefere ver notícias como o trânsito na cidade, as melhores ofertas de emprego, quais as novas do prefeito da cidade, ou o governador do estado ou o presidente. Outros preferem assistir sobre problemas da sua própria comunidade e buscar soluções.
O problema é que, quando ocorre um evento muito forte como foi o acidente em Congonhas, ou os atentados de 11 de setembro, não se fala mais em outro assunto, ainda que você queira mudar de canal e fugir um pouco daquilo. E nos sabemos que isso é fruto de uma gana por audiência, por ter o privilégio de dar a noticia primeiro, gerando assunto para boteco de esquina e para que as pessoas possam comprar mais jornais e revistas. Todo mundo se choca, todo mundo fica horrorizado, mas no fim esquece. Na minha opinião, exibir muitas noticias trágicas ajuda na banalização da violência, fora que cria-se um sentimento de medo e pessimismo desnecessários, afinal, não é porque um avião caiu em Congonhas que todos os aviões de lá irão cair. Não é porque o Rio de Janeiro está violento que você vai chegar lá e ser assaltado e morto por bala perdida. Chances existem muitas, mas jamais haverá todas as certezas.
Há certas pessoas, que quando mudam para um certo programa a la “Linha Direta”, não aceita quando criticamos, sob a desculpa de que a gente não quer ver a realidade. Será mesmo essa a realidade que precisamos saber? Já viu cair em algum vestibular sobre o caso Suzanne Richtofen, sobre algum morador do Rio morto por bala perdida, ou sobre o caso Medeleine? Pode até usar a notícia como complemento sobre algum tema como a violência, etc, mas nunca a noticia isolada em si.
Agora lhe pergunto, o que é a realidade para você?
Pense nisso.
Pense nisso.
FOTO: http://www.midiativa.org.br/var/storage/original/image/phpGI6lIl.jpg




